quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Bar Sirène deve zerar o lixo plástico em suas unidades em Curitiba

Segundo dados de 2017, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba, se produz 487 mil toneladas de lixo por mês, cerca de 700g por pessoa. Mas apenas 18 mil toneladas foram recicladas na cidade no ano passado
Os proprietários do bar Sirène usa 12 mil copos plásticos por mês nos três bares da marca na capital. Para diminuir esses dados que o bar firmou uma parceria com a ONG Parceiros do Mar. A meta é reduzir drasticamente o uso do copo plástico ao longo de 2018, zerando esse número ao fim do ano.
“Vamos disponibilizar copos retornáveis para os clientes utilizarem pelo custo de cinco reais. Caso o cliente queira devolver o copo quando for embora, ele recebe o dinheiro de volta”, explica Afonso Neto, sócio-proprietário do bar. Os copos serão lançados em três modelos colecionáveis, com artes criadas por artistas locais. O primeiro foi assinado pelo ilustrador Gustavo Santos Silva, conhecido como Gustas. Eventualmente, o Sirène fará promoções de chopes para quem utilizar o copo em um dos bares.
Mais do que uma parceria para responsabilidade socioambiental, o bar e a ONG visam alinhar a ideia de preservação do mar e da praia, já que ambos carregam essa identidade. “Nunca fechamos parcerias com bares para o uso de copos, essa ação é inédita com o Sirène porque ele está espalhado em pontos estratégicos da cidade, o que acaba impactando pessoas de diferentes lugares, com diferentes mentalidades”, se anima Silvia Turra Grechinski, representante da ONG.(#Envolverde)

Conheça argumentos de quem defende agrotóxicos e execra alimentos orgânicos

Claud Goellner* & Nicholas Vital**
Já não é novidade para ninguém que os alimentos orgânicos são vistos pela população em geral como os mais saudáveis, nutricionalmente superiores e mais seguros do que os convencionais. Diante da avalanche de notícias negativas em torno dos agroquímicos, muitos consumidores se dispõe, inclusive, a pagar preços exorbitantes por tais produtos, sempre em nome dos supostos benefícios à saúde. Não por acaso, a produção e o mercado de alimentos orgânicos têm crescido em ritmo acelerado em países como os Estados Unidos, Canadá, Brasil e em toda a Europa.
Tais teorias, no entanto, têm sido cada vez mais questionadas por estudos realizados por centros de pesquisa e autoridades governamentais ligados à saúde pública e segurança alimentar em todo o mundo. Se por um lado artistas, empresários e musas fitness — gente que não tem qualquer conhecimento técnico sobre o assunto — garantem que os orgânicos são melhores, por outro, a comunidade científica vem provando dia após dia que esta história não passa de uma falácia.
Recentemente, o Centro Nacional de Saúde Ambiental do Canadá publicou um relatório com os resultados de pesquisas comparativas entre alimentos orgânicos e convencionais sob os aspectos da qualidade nutricional e da segurança alimentar. Os resultados, baseados em evidências científicas, são taxativos ao afirmar que não existe nenhuma diferença entre os produtos, embora muitos fatores relacionados aos sistemas de produção, local, clima, variedades e tipo de solo possam influenciar no valor nutricional de ambos.
Outra pesquisa conduzida na França, sob coordenação da Agência Francesa de Segurança Alimentar (AFSSA), vai na mesma linha. Ao avaliaram as diferenças entre os dois tipos de alimentos quanto aos conteúdos de matéria seca, vitaminas, minerais, micronutrientes, ácidos graxos poli-insaturados, substâncias antioxidantes, carboidratos e proteínas, os responsáveis pelo estudo também não encontraram nenhuma diferença consistente entre ambos.
Em alguns casos, é verdade, os orgânicos apresentaram um maior teor de antioxidantes, como compostos fenólicos e ácido salicílico (a nossa Aspirina), mas isso pode ser atribuído ao fato de essas substâncias atuarem como defesa natural das plantas contra pragas e patógenos. É preciso lembrar, entretanto, que do ponto de vista da segurança alimentar, um nível elevado de antioxidantes não representa qualquer vantagem — muito pelo contrário. De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Dr. Bruce Ames, da Universidade da Califórnia em Berkeley e publicada em revistas científicas de peso, como a Science, essas toxinas naturais podem apresentar efeito mutagênico, carcinogênico, cardiotóxico, hepatotóxico e teratogênico.
No Reino Unido também não há qualquer evidência da superioridade dos orgânicos. Em 2012, um grupo de pesquisadores da Universidade de Stanford realizou uma revisão detalhada de 237 estudos comparativos entre alimentos convencionais e produtos equivalentes produzidos sem agroquímicos. Os resultados, publicados nas prestigiosas revistas Annals of Internal Medicine e Journal of National Cancer Institute, mostram, mais uma vez, que não há nenhum suporte científico na tese de que os alimentos orgânicos seriam mais benéficos à saúde. Pesquisas sérias conduzidas no Brasil, como a publicada pelo Instituto Tecnológico de Alimentos (ITAL) em 2017, também seguem na mesma linha.
O fato é que autoridades internacionais como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), além dos governos dos Estados Unidos, Canadá e de vários países da Comunidade Europeia já demonstraram que os alimentos orgânicos não são nutricionalmente superiores. No Brasil, porém, essa é uma discussão pautada muito mais pela ideologia do que pela ciência, situação que beneficia apenas os oportunistas de mercado, que vendem ilusões a preços muito maiores. A verdade, aos olhos da ciência, é uma só: ambos os sistemas podem produzir alimentos saudáveis, nutritivos e seguros. Basta que as boas práticas agrícolas sejam respeitadas. ** Prof. Claud Goellner , especializado em toxicologia de alimentos, e Nicholas Vital- autor do livro Agradeça aos agrotóxicos por estar vivo (#Envolverde)

“O agronegócio brasileiro é uma potência, mas se tornou uma ameaça”, diz artigo.

RAONI RAJÃO
CARLOS RITTL
O agronegócio brasileiro é uma potência. O país é o quarto maior produtor mundial de alimentos. Colheu uma safra de 242 milhões de toneladas no ano passado, o que ajudou a manter superávit comercial no ano em que o país saía de uma das piores recessões de sua história. Direta e indiretamente, o agro responde por quase um quarto do PIB do país.
Além de tudo, graças ao uso intensivo de tecnologia, obteve ganhos de produtividade e evitou maior desmatamento – de 1991 a 2017, a produção de grãos e oleaginosas subiu 312%, mas a área plantada cresceu apenas 61%.
O agronegócio brasileiro é uma ameaça. Somos o país que mais desmata no planeta – 6.600 quilômetros quadrados na Amazônia só no ano passado, e 50% mais do que isso no cerrado. Em 2016, o país foi o sétimo maior emissor dos gases que causam o aquecimento da Terra. O setor agropecuário foi responsável por 74% das 2,3 bilhões de toneladas de CO2 e outros gases que lançamos no ar. Também é o setor que torna o Brasil recordista mundial em violência no campo – 65 assassinatos apenas em 2017, segundo a Comissão Pastoral da Terra – e alimenta a corrupção, com mais de R$ 600 milhões pagos em propina a políticos em 2014 somente pela JBS.
Qual das duas visões sobre o agro está correta? Evidentemente, ambas. Como diz a propaganda na TV, o agro “é tudo”: o bom e o ruim. O século XXI e o século XVI. A alta tecnologia e o trabalho escravo.
Nos últimos anos, porém, alguns ideólogos têm prestado um desserviço à agricultura brasileira, destilando estatísticas parciais sobre o agro “bom” e escondendo os problemas. Esses argumentos encontram eco em autoridades do governo e são trombeteados no Brasil e no exterior.
No final do ano passado, por exemplo, comemoraram-se dados da Nasa sobre a área cultivada no Brasil que supostamente dariam ao país “autoridade para enfrentar críticas dos campeões do desmatamento mundial”. Esta afirmação é, em si, problemática; voltaremos a ela. Vamos antes aos dados: segundo os ideólogos, a Nasa mostrou que o Brasil teria apenas 7,6% de sua área ocupada com agricultura, contra uma média de 20% a 30% de outros países. Ainda segundo eles, o Brasil “protege e preserva a vegetação nativa em mais de 66% de seu território”.
O primeiro dado é um exemplo acabado do que os americanos chamam de “cherry-picking”, ou seleção de observações. Como mostrou um artigo recente, esse dado se refere somente ao que a Nasa chama de “croplands”, ou cultivos agrícolas. Nenhuma palavra sobre a atividade que é a maior – e pior – ocupante de terras no Brasil, a pecuária. O país tem cerca de 65 milhões de hectares ocupados com agricultura, mas 230 milhões em pasto. É quase o território da Argentina, o 3º maior produtor global de soja. Incluindo as pastagens, o Brasil chega a 33% de seu território ocupado com agropecuária. Portanto, mais ou menos na média dos grandes produtores de alimentos.
O segundo dado traz outra artimanha. Vários comentaristas do agro dizem de boca cheia que o país tem 66% de terras preservadas com vegetação nativa. Mas olham o retrato, quando o que importa mesmo é o filme. Segundo o projeto MapBiomas, uma iniciativa multi-institucional da qual o OC faz parte, em 2016 o país tinha 64,1% de vegetação nativa remanescente. Mas, na virada do século, tinha quase 67,3%. Em 16 anos, perdemos o equivalente a um Estado de São Paulo em vegetação nativa. O cerrado, nosso segundo maior bioma, está reduzido à metade. O Pantanal perdeu 7% em 15 anos. O pampa, 13%. Essa vegetação sumiu dizimada pela agropecuária. O espaço para ganhos de eficiência é monumental.
Mesmo esses cerca de 66%, que alguns ruralistas insistem em chamar de maior percentual de florestas protegidas no mundo, não são assim tão extraordinários. Quem se der ao trabalho de olhar a excelente página de estatísticas do Banco Mundial na internet vai ver que vários países do mundo têm coberturas florestais semelhantes à do Brasil ou maiores que as nossas como proporção de seu território. Para ficar apenas na vizinhança: 98,3% no Suriname, 84% na Guiana e 57,8% no Peru. Na África, o Gabão tem 89% preservados, o Congo, 67,3% e a República Democrática do Congo, 65%. Na Ásia, o Japão tem mais florestas que o Brasil (68,5%) e a Coreia do Sul, quase o mesmo tanto (63,4%). Na Europa, a Eslovênia tem 62% e a insuspeita Suécia, cabalísticos 69%.
Então será que o Brasil tem mesmo “autoridade” para enfrentar as críticas dos “campeões de desmatamento”? E, a propósito, é possível botar na mesma balança, digamos, a Holanda (maior exportadora de alimentos do mundo), que perdeu quase toda a sua vegetação original desde os tempos do Império Romano, e o Brasil, que apenas na Amazônia desmatou em 50 anos o equivalente a mais de dez vezes o território da Holanda e o da Bélgica somados?
Falando em Europa, enquanto os propagandistas do agropop vendem a parte boa da produção brasileira em Bruxelas e Berlim, dentro de casa o setor toca uma agenda política do tempo da Companhia das Índias. Ao longo de 2017, em troca de votos no Congresso, a bancada ruralista pediu ao presidente Michel Temer – e recebeu – a legalização da grilagem em grandes áreas, o afrouxamento do conceito de trabalho escravo e a retirada dos direitos de populações indígenas que foram expulsas de suas terras antes da Constituição de 1988. E vem à carga total já neste início de 2018 para afrouxar o licenciamento ambiental, legalizar o agronegócio dentro de territórios indígenas e permitir a venda de grandes extensões de terras brasileiras ao capital estrangeiro.
Qualquer discussão adulta sobre a importância e os desafios do agronegócio brasileiro precisa abandonar a seletividade na escolha de números e encarar com coragem o agro inteiro. Dourar a pílula pode fazer bem ao ego e ajudar a justificar barbaridades no Congresso que só atrapalham a banda modernizadora do setor produtivo. Mas, num mundo em que sustentabilidade e baixo carbono deixaram de ser pauta ambientalista e passaram a estratégias de negócios, malabarismos estatísticos não enganam mais ninguém.
Raoni Rajão é professor em Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia no Departamento de Engenharia de Produção da UFMG e membro do Observatório do Código Florestal.
Carlos Rittl é secretário-executivo do Observatório do Clima
* Texto originalmente publicado no Valor Econômico em 20/02/2018. Fonte: Observatório do Clima (#Envolverde)

Fotografada a Via Láctea por cima de um vulcão em erupção

Albert Dros é fotográfo de paisagem reconhecimento internacionalmente, holandês de nascimento, que para aprimorar seu trabalho aprendeu a dominar toda a tecnologia do seu equipamento e do computador. Também viajou para dezenas de países onde fotografou todo o tipo de cenários, até os menos prováveis como a erupção de um vulcão na Guatemala tendo a Via Láctea ao fundo. Por fim, ele criou um incrível site de fotografia com Wix, para compartilhar suas fotos com o mundo.
Com apenas 32 anos, suas melhores fotos ainda estão por vir, mas seu trabalho já atraiu os olhares dos curadores de maior prestígio no universo da fotografia, o que resultou em quatro publicações na National Geographic, uma publicação na Time e ser inscrito no programa “Sony Global Imaging Ambassadors”.
“Eu tive a ideia no momento que vi as fotos tiradas pelo meu irmão mais novo que vivia na Guatemala. Ele estava numa pequena cidade próxima e me contou que o vulcão estava ativo e entrando em erupção frequentemente. Quando ele me mostrou as fotos, foi como um gatilho: imediatamente reservei uma passagem e fui! Sempre quis fotografar um vulcão em erupção e esta era a minha chance.”
Continua: ” Planejei muito. Vi que muitos outros fotógrafos já haviam fotografado este mesmo vulcão e eu queria algo a mais. Gosto de fotografar à noite, por isso tentei ver se era possível ter a Via Láctea alinhada com o vulcão e com sorte ter uma erupção do vulcão ao mesmo tempo. Praticamente ninguém havia fotografado dessa forma porque é uma foto um pouco complicada. Erupções e lava são brilhantes e o céu à noite é escuro. Há um grande contraste, o que faz todo o processo dessa foto ser mais complicado.
Usei o PhotoPills (aplicativo de foto para smartphones) para ver se era possível realizar esta foto como imaginei. Precisava ter o ângulo certo, sem lua, céu claro e a erupção, obviamente. Ao verificar o ângulo, vi que realmente era possível alinhar com a Via Láctea naquele ponto, durante a madrugada. Isto era perfeito. Também naveguei em diversos sites para monitorar a atividade do vulcão e fiquei observando-o bem de perto. Por fim, tive algumas pessoas locais que me ajudaram ligando para as estações meteorológicas para saber quando o céu estaria nas melhores condições e quando seria melhor ir até lá. Todo este planejamento foi regiamente recompensado no final!
Essa sensação é realmente indescritível e minhas fotos sequer fazem jus ao que senti. Ver de perto um vulcão entrar em erupção junto com os tremores e o estrondo é algo que não dá para explicar, só vivenciando essa experiência. A natureza é fantástica e nós somos apenas observadores na terra.” fonte WixBlog (#Envolverde)

Desmatamento da Amazônia está perto do irreversível e alterar o perfil da floresta

O desmatamento da Amazônia está prestes a atingir um determinado limite a partir do qual regiões da floresta tropical podem passar por mudanças irreversíveis, em que suas paisagens podem se tornar semelhantes às de cerrado, mas degradadas, com vegetação rala e esparsa e baixa biodiversidade.
O alerta foi feito em um editorial publicado na revista Science Advances. O artigo é assinado por Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, nos Estados Unidos, e Carlos Nobre, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas – um dos INCTs apoiados pela FAPESP no Estado de São Paulo em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
“O sistema amazônico está prestes a atingir um ponto de inflexão”, disse Lovejoy à Agência FAPESP. De acordo com os autores, desde a década de 1970, quando estudos realizados pelo professor Eneas Salati demonstraram que a Amazônia gera aproximadamente metade de suas próprias chuvas, levantou-se a questão de qual seria o nível de desmatamento a partir do qual o ciclo hidrológico amazônico se degradaria ao ponto de não poder apoiar mais a existência dos ecossistemas da floresta tropical.
Os primeiros modelos elaborados para responder a essa questão mostraram que esse ponto de inflexão seria atingido se o desmatamento da floresta amazônica atingisse 40%. Nesse cenário, as regiões Central, Sul e Leste da Amazônia passariam a registrar menos chuvas e ter estação seca mais longa. Além disso, a vegetação das regiões Sul e Leste poderiam se tornar semelhantes à de savanas.
Nas últimas décadas, outros fatores além do desmatamento começaram a impactar o ciclo hidrológico amazônico, como as mudanças climáticas e o uso indiscriminado do fogo por agropecuaristas durante períodos secos – com o objetivo de eliminar árvores derrubadas e limpar áreas para transformá-las em lavouras ou pastagens.
A combinação desses três fatores indica que o novo ponto de inflexão a partir do qual ecossistemas na Amazônia oriental, Sul e Central podem deixar de ser floresta seria atingido se o desmatamento alcançar entre 20% e 25% da floresta original, ressaltam os pesquisadores.
O cálculo é derivado de um estudo realizado por Nobre e outros pesquisadores do Inpe, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Universidade de Brasília (UnB), publicado em 2016 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
“Apesar de não sabermos o ponto de inflexão exato, estimamos que a Amazônia está muito próxima de atingir esse limite irreversível. A Amazônia já tem 20% de área desmatada, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados, ainda que 15% dessa área [150 mil km2] esteja em recuperação”, ressaltou Nobre.
Segundo os pesquisadores, as megassecas registradas na Amazônia em 2005, 2010 e entre 2015 e 2016, podem ser os primeiros indícios de que esse ponto de inflexão está próximo de ser atingido.
Esses eventos, juntamente com as inundações severas na região em 2009, 2012 e 2014, sugerem que todo o sistema amazônico está oscilando. “A ação humana potencializa essas perturbações que temos observados no ciclo hidrológico da Amazônia”, disse Nobre.
“Se não tivesse atividade humana na Amazônia, uma megasseca causaria a perda de um determinado número de árvores, que voltariam a crescer em um ano que chove muito e, dessa forma, a floresta atingiria o equilíbrio. Mas quando se tem uma megasseca combinada com o uso generalizado do fogo, a capacidade de regeneração da floresta diminui”, explicou o pesquisador.
A fim de evitar que a Amazônia atinja um limite irreversível, os pesquisadores sugerem a necessidade de não apenar controlar o desmatamento da região, mas também construir uma margem de segurança ao reduzir a área desmatada para menos de 20%.
Para isso, na avaliação de Nobre, será preciso zerar o desmatamento na Amazônia e o Brasil cumprir o compromisso assumido no Acordo Climático de Paris, em 2015, de reflorestar 12 milhões de hectares de áreas desmatadas no país, das quais 50 mil km2 são da Amazônia.
“Se for zerado o desmatamento na Amazônia e o Brasil cumprir seu compromisso de reflorestamento, em 2030 as áreas totalmente desmatadas na Amazônia estariam em torno de 16% a 17%”, calculou Nobre. “Dessa forma, estaríamos no limite, mas ainda seguro, para que o desmatamento, por si só, não faça com que o bioma atinja um ponto irreversível”, disse. Fonte: Fapesp (#Envolverde)

Brasil atinge a marca de 13 GWs de capacidade instalada em energia eólica

O Brasil atingiu nesta semana a marca de 13 GWs de capacidade instalada de energia eólica, com 518 parques eólicos e mais de 6.600 aerogeradores operando. Os dados são da Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica, que informa, ainda, que o montante gerado pelas eólicas já é equivalente ao consumo médio de cerca de 24 milhões de residências por mês. Os 13 GWs de capacidade instalada de energia eólica ainda significam que o setor já gerou mais de 195 mil postos de trabalho desde seu início, com grande concentração nos últimos oito anos.
“Esta é uma marca muito significativa, é importante comemorar, mas sem jamais perder nossa visão de futuro. Em construção ou já contratados há mais 4,8 GWs, divididos em 213 parques eólicos que serão entregues ao longo dos próximos anos, até 2023, levando o setor para próximo da marca de 19 GW. Isso significa que, em breve, toda a capacidade eólica instalada será maior que Itaipu, nossa maior hidrelétrica, que tem 14 GWs de capacidade instalada. Vale lembrar, ainda, que esses 4,8 GWs que ainda vamos instalar já foram contratados em leilões realizados. Com novos leilões esse valor ainda vai crescer e passaremos dos 20 GWs”, explica Elbia Gannoum, Presidente Executiva da ABEEólica.
Outro dado novo do setor, divulgado nesta semana, veio da CCEE, que revelou um crescimento de 26,5% da geração de energia eólica em operação comercial no Sistema Interligado Nacional – SIN, em 2017, na comparação com 2016. “Esse dado de crescimento da geração reflete o que vimos ao longo de 2017, já que chegamos a abastecer 10% do País em agosto e 11% em setembro, passando pela primeira vez aos dois dígitos na matriz nacional num mês. Além disso, chegamos a abastecer mais de 60% do Nordeste em vários momentos, na época que chamamos de “safra dos ventos”, que vai mais ou menos de junho a novembro”, explica Elbia.
“O mês de fevereiro veio de fato com notícias importantes para o setor: além de termos atingido os 13 GWs, com crescimento de geração de 26,5%, o Global Wind Energy Council (GWEC) anunciou o novo Ranking Mundial de Capacidade Instalada de Energia Eólica e o Brasil subiu mais uma posição chegando a 8º lugar. Em 2012, nós éramos o 15º País do Ranking, com pouco mais de 2,5 GWs instalado, nem figurávamos entre os dez mais. Desde então, estamos subindo de maneira consistente e ainda há espaço para subir mais um pouco”, analisa Elbia.(#Envolverde)

Parque das Neblinas (SP) é aberto para observadores de aves

O Parque das Neblinas, reserva ambiental da Suzano Papel e Celulose gerida pelo Instituto Ecofuturo e localizada no alto da Serra do Mar, em Mogi das Cruzes e Bertioga (SP), tem se tornado referência para a prática de birdwatching (em português, observação de aves). Devido à vasta diversidade presente no local, o espaço atrai os chamados birdwatchers (observadores de aves), praticantes da atividade que têm como objetivo registrar, contemplar e fotografar aves em seu habitat natural, sem interferir no seu comportamento ou no ambiente.
Com mais de 1.250 espécies da biodiversidade registradas em sua área de seis mil hectares, o Parque proporciona uma experiência diferenciada em meio à natureza. Os observadores que visitam a reserva têm a oportunidade de avistar algumas das 243 espécies de aves já registradas. Dessas, 25 ocorrem apenas na Mata Atlântica, como a jacutinga.
“O Parque das Neblinas é muito rico em espécies e possui estrutura e segurança que favorecem a atividade. Neste ano, devemos desenvolver ações para incentivar a prática, pois além de ser uma atividade de baixíssimo impacto, esse grupo de visitantes contribui para complementar a lista de espécies identificadas na área”, afirma Paulo Groke, diretor de Sustentabilidade do Instituto Ecofuturo.
Para complementar o passeio, o visitante tem ainda a opção de contratar alimentação com um toque regional. As refeições são preparadas pela equipe da Natural da Mata, empresa da comunidade local, e inclui receitas com ingredientes nativos da Mata Atlântica, como cambuci e frutos da palmeira-juçara, servidas no fogão à lenha. O Parque oferece também outras atividades que contribuem para aproximação das pessoas com o meio ambiente, como trilhas, canoagem, cicloturismo e camping. Para visitas é necessário agendamento prévio, com ao menos 48h de antecedência. (#Envolverde)